
Abril 30, 2009

coração dormente
debaixo da tênue linha que divide o amor do ódio, existe um país neutro onde moram os corações dormentes. é um lugar onde não há ressentimentos, nem andamos em montanhas russas. o coração cumpre sua responsabilidade física, mas se ausenta no sentir.
como todos os músculos, ele também fadiga quando usamos demais. cansado de dissabores, renasce num coração dormente. nesse estado o coração não dói. é um navio à deriva. amigo da calmaria, irmão do tempo.
mas dizem que é um desperdício de forças e de coração tentar obrigá-lo a adormecer. dizer que o tempo o amolecerá. o coração é um músculo involuntário, ele bate mesmo sem você querer.
mas faço mil versinhos, para despertar de supetão seu coração dormente.
ilustração: marina faria
texto: tiago yonamine
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