Sim, foi um ano difícil.
já nos primeiros dias foi um desentendimento com grandes amigos, dai se aprende que quando a amizade vale a pena, você engole o orgulho e resolve.
então a primeira correria: qualificar o mestrado enquanto sua melhor amiga se casa. foram anotações de textos misturados às brincadeiras de chá de lingerie pra que tudo funcionasse.
João Pessoa foi mais que uma cerimônia e festa de casamento. celebração da amizade, do amor, da confiança naqueles que te cercam.
primeira tatuagem. um aviãozinho de papel nas costas apontava pro devir.
em fevereiro hora de pensar. passar ou não um tempo pesquisando no rio? os acadêmicos já haviam recomendado, mas ai largar sua casa, seu emprego, sua gata, sua família e seus amigos quando tudo andava tão bem, ai já era outra história…
a cabeça mexida foi pra mais longe, geograficamente. pela 3a vez no meu couchsurfing em ny, casa que respira arte e criação em cada ser que ali passa, a inquietação de permanecer em brasília foi se concretizando. passeando por harvard o peso de uma boa pesquisa também se fez presente. ao chegar em washington a decisão já estava tomada. passaria então seis meses na cidade maravilhosa!
convencer sua mãe que você está largando sua vida certa, seu salário e tudo mais foi como estar falando em chinês. mas já viu mãe que não apoia um filho com sonhos?
lá fui, rompi com tudo.
ah, e como o choro é forte…
por vezes foi preciso lembrar porquê estar ali, porquê enfrentar o novo.
então você respira fundo, levanta a cabeça, olha pro cristo e segue em frente.
três meses até aceitar a máxima “malando é malandro, mané é mané”. a burocracia intrínseca no cotidiano de brasília lá tem seu lado bom…
em maio a viagem da vida apareceu! Itália, a nonna e um gelatto. assim, tudo junto. tudo por ela!
viver de bolsa não pagava muita coisa, mas ah… dava o tão valioso tempo livre, esse necessário pra ocupar com cursos, seminários, mostras e exposições que aparecessem. e estar no rio foi especial.
a eco-ufrj ia impressionando e o combo com o parque lage tornava cada dia um novo mundo.
agosto foi grande! lá fui eu e minha instalação audiovisual no 2º festival de cultura digital do circo voador. a alegria foi o motor pro trabalho pesado, pessoas incríveis pelo caminho foram surgindo.
em setembro, hora de apresentar artigo no encontro da socine. muito trabalho e o prazer da troca. tempo de conhecer gente que você lê e se impressionar que são gente normal.
almoçar em casarões antigos, deixar passar o ônibus pra continuar as longas conversas no ponto, subir toda a voluntários da pátria ou descer a laranjeiras até depois da rua alice, pegar o 584 toda manhã. no rio a relação com a cidade é outra, principalmente quando sua referência é brasília. se bem que brasília não é lá referência de muita coisa.
O “ex-isto” das telonas rolava também no peito. Todo cartesianismo sentimental ruiu, e desde então tenta-se exercitar esse músculo cardíaco, à custa de muito suor dos olhos.
é, isso? o amor só é bom se doer, ossanha?
Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!…
mas ai tinha o mar! a correnteza trouxe uma nova surpresa.
em tempo de travessia de vida, surgiram as travessias marítimas e maratonas aquáticas para me desafiar. encarei, agora é treino e mais treino pelas provas que estão por vir.
outubro e novembro afundada nos estudos, os prazos começaram a apertar.
em dezembro os seis meses se tornaram sete… brasília e a unb chamavam, a família e os amigos gritavam!
Brasília outra vez, em outro tempo.







